segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Entrevista com “Edna” minha avó

Minha avó nasceu em plataforma onde mora até hoje, teve 12 filhos. Nos relatos fornecidos por ela descobrimos que ela morou um tempo no Cacau e depois no Tanque do Meio, quando foi morar com Betinho (marido). Estudou até o terceiro ano quando decidiu parar de estudar para trabalhar, pois sempre gostou de ter seu dinheiro fazer suas coisas. Porém não conseguiu o trabalho na Fábrica São Braz, ficou sem estudar e sem trabalhar. Tempo depois  arranjou um trabalho costurava saco de linhagem no comercio, hoje só existe de nylon, ela e varias amigas ficaram lá por pouco tempo. Porém sempre fez caixa. Depois de muitos anos passou a fazer toalha e pano de prato na fábrica ela foi se escrever porem não tinha vaga. A irmã conseguiu, ela ajudava a fazer os panos e o dinheiro era repartido para as duas. Existia um armazém em frente à fábrica sortido, tinha de tudo nele e ao lado tinha as lojas, onde eram compradas as roupas. Aos sábados existiam feiras onde viam pessoas de vários lugares para vender, tinham de tudo na feira, as melhores casas ficava próxima a fábrica.

A entrevista 

Alguns dados da família: Minha avó paterna pegou a época da escravidão, trabalhou muito, faleceu com 130 anos. Já minha avó materna foi encontrada no mato era índia.Papai sempre morou n bairro.

Sobre a mariscagem em Plataforma :  Marisco desde os 7 anos de idade que quando mamãe(Firmina) saia para  trabalhar,eu ia  para maré com vovó(Cirila), mariscava  para o próprio consumo.Quando mamãe(Firmina) ficou desempregada ,eu e meus irmãos pescávamos  e nos finais de semana vendíamos na feira  os mariscos enrolados numa folha de bananeira para ajudar no sustento da casa.Vovó vendia acarajé e eu mais Edmundo (irmão) vendíamos os mariscos ao lado dela. Todos os netos ajudavam no preparo do acarajé, preparávamos  os feijões depois machucavam no pilão.

Em relação aos transportes em Plataforma: No bairro de plataforma só existia trem e canoa, quando queríamos sair para o centro da cidade,pegávamos um trem até a calçada e lá que existia ônibus. Só passou a ter ônibus no subúrbio depois da inauguração da Avenida Suburbana.




Terminal Marítimo Plataforma -Ribeira  nos dias atuais


Relatos da fábrica são Braz em plataforma : Mamãe Firmina trabalhou na fábrica, até chegar ao certo momento que ela pediu as contas da fábrica .Edvalda (irmã)também trabalhava na fábrica ,eu e Laura(irmã) até tentamos ,mas não conseguimos.Muitos anos depois minha irmã (Laura ) conseguiu uma vaga para fazer pano de prato, que eram produzidos em casa.A fábrica era muito importante para o bairro pois quase todos viviam em função da fábrica.Nos dias atuais é um abandono aquela fabrica ,tem até um projeto para reabrir a fábrica.Papai (Eduardo) também trabalhava na fábrica .


Fábrica São Braz nos dias atuais.



Carnaval em plataforma:era muito animado ,todos fantasiados.Tinha alvorada 4 h da manhã,todos acordavam para ver .

A comunidade de Baixa do Cacau está situada entre a comunidade de Bananeiras e o Bairro Capelinha. A área é caracterizada por um terreno de topografia acidentada condições agravada devido às erosões no decorrer do tempo e se tornou uma região com riscos de deslizamentos de terra.







terça-feira, 11 de novembro de 2014

A mariscagem em Plataforma


A mariscagem existe no bairro há décadas, é uma manifestação cultural para a maioria das famílias que moram em plataforma. A maioria aprendeu com seus pais a mariscar e encontram nessa tradição uma forma de garantir a sobrevivência, mas também uma forma de distração.
Essa região de Plataforma e Novos Alagados apresenta indícios de ter sido uma grande floresta de manguezais. O crescimento desordenado da população e o desenvolvimento industrial descontrolado vêm contribuindo para o desaparecimento das espécies de manguezais que ainda restam no local. Hoje quase todo mangue foi destruído pelas fabricas instaladas na região e também pelos próprios moradores que não pensam na pesca predatória.
A mariscagem é uma saída para aqueles que estão desempregados, não só os moradores do bairro de Plataforma como moradores de outros bairros vêm a Plataforma para mariscar por necessidade e por não encontrarem alternativa para garantir a sobrevivência.
Muitos marisqueiros a consideram uma tradição familiar, participam dela desde pequenos, aprendem a pratica com os pais e avós. A grande maioria vai para a maré com toda a família, por não terem com quem deixar seus filhos.
O melhor período para mariscar é de 15 em 15 dias, nas luas novas e cheia, quando a maré “fica melhor” e “vaza mais”. Nesses dias fazendo chuva ou sol bem cedinho os marisqueiros estão lá. Alguns relatam que quando chove tomam cachaça para suportar o frio e os pingos da chuva nas costas.
A grande maioria dos marisqueiros são pessoas que vivem de “bicos”, ou estão desempregados ou são diaristas. Por isso dizer que vive dos mariscos, que é uma forma de sobrevivência encontrada por grande parte da população do bairro e arredores. Há um pequeno número que marisca para seu consumo próprio.
Dentre os tipos de mais freqüentes de mariscos podemos citar: rala coco, papa-fumo, Maria preta, dedo de moça, camaru, chumbinho, concha, sururu e siri. Os marisqueiros utilizam uma colher comum ou uma colher de pedreiro para mariscar, se for dentro do mar usam também peneira, balde ou lata. A quantidade de marisco coletada pode varias entre 500 g e 1 quilo por dia. Nos dias atuais os marisqueiros reclamam que os mariscos estão acabando.
Muitos afirmam que a mariscagem é a sua “salvação”,a única forma de sobrevivência,o sustento da família ,ao mesmo tempo encontram ali uma forma de distração.


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

cidade de salvador


A região onde se localiza Salvador era habitada pelos tupinambás, quando, em 1501, Gonçalo Coelho, comandante da primeira expedição exploratória, comerciou com os índios e instalou  o padrão de posse português no local do atual Farol da Barra, na entrada da baía. Era 1º de novembro, dia de Todos os Santos. O local passou a ser conhecido como a Ponta do Padrão, na entrada da Baía de Todos os Santos.
Em 29 de março de 1549, a armada portuguesa aportava na Vila Velha (hoje Porto da Barra), comandada pelo português Diogo Alvares, o Caramuru. Era fundada oficialmente a cidade de Cidade do São Salvador da Baía de Todos os Santos, que desempenhou um papel estratégico na defesa e expansão do domínio lusitano entre os séculos XVI e XVIII, sendo a capital do Brasil de 1549 a 1763.
A partir do século XVI, Salvador foi o maior porto brasileiro para a chegada de escravos africanos. Pela grande quantidade de africanos em sua região, Salvador adotou hábitos, costumes e tradições deste povo que hoje mostra a miscigenação entre povos de culturas distintas.
Em 1624, Salvador foi invadida por holandeses atraídos pelas riquezas da região e estes, permaneceram no poder durante 11 meses. Em 1763, perdeu seu posto de capital brasileira para o Rio de Janeiro mas, manteve preservando sua economia, história e cultura. Em 1808 abrigou a família real portuguesa. 
Após a Independência do Brasil, a Bahia continuava em poder português, mas em 02 de julho de 1823 houve a última batalha onde as tropas portuguesas foram vencidas pelo exército nacional e esta data passou a ser comemorada todos os anos com intensa participação popular.

Carreira das índias 
Considerada por uns como a maior consequência dos Descobrimentos, outros há que destacam o enorme feito que ela representa em termos técnicos e humanos para um pequeno país como Portugal no início do século XVI. Ao estabelecer uma ligação anual entre Lisboa e os portos do Oriente (Goa, Cochim e por vezes Malaca) a Carreira da Índia tornou-se num elo fundamental na respiração e transpiração quer de Portugal, quer do seu Império Asiático. 
A nau é o navio por excelência da Carreira, sendo também utilizados galeões e fragatas (estas apenas nos finais do século XVII e no século XVIII), bem como, e mais esporadicamente, outros tipos como a urca, a caravela redonda ou a naveta. O tamanho ou capacidade das naus foi uma das características que mais alterações sofreu desde a viagem de Vasco da Gama, com 100t de média até às 200t a 300t com Pedro Álvares Cabral e às 1000t (1518). É comummente aceite que a média deve ter ficado nas 400t a 600t no século XVI e 800t a 1000t no século seguinte, embora os exemplos de gigantismo sejam fáceis de multiplicar. 
 As tripulações destes navios podiam ir até cerca de 200 homens, embora o número mais comum seja à volta dos 120 a 150. A este contingente juntavam-se os soldados ou os simples passageiros o que podia fazer chegar o total de pessoas a bordo até aos 1000, embora também aqui a média devesse rondar os 500. No topo dessa hierarquia estava o capitão que desempenhava funções essencialmente judiciais, militares e administrativas enquanto comandante supremo do navio. Quem verdadeiramente governava e conduzia o navio era o piloto. Este era o posto de maior responsabilidade a bordo, cabendo-lhe traçar a rota com a ajuda dos regimentos, das cartas náuticas e da observação astronômica e escrever o diário de bordo. O elemento que se seguia nesta estrutura era o mestre. Cuidava da manobra dentro do navio orientando e comandando tanto marinheiros como grumetes.
Os postos seguintes eram ocupados por uma série de homens do mar que se dividiam por actividades e funções bem distintas desde o guardião, a carpinteiros, calafates ou tanoeiros. Com funções não ligadas especificamente ao mar seguiam o meirinho ou alcaide, o capelão, o escrivão e um ou vários despenseiros, e por vezes o boticário e o cirurgião/médico substituído amiúde por um barbeiro que prestava os primeiros socorros. Depois dos oficiais vinham os últimos três tipos de homens do mar: os marinheiros, os grumetes que executavam os trabalhos mais duros e os pajens, geralmente crianças que tinham por função servir de mensageiros dentro do navio e transmitir as ordens dadas pelos capitães e oficiais. À parte desta estrutura havia uma outra, a dos homens encarregues da artilharia, e que era comandada pelo condestável tendo sob as suas ordens os bombardeiros. 
Depois destes, que constituíam a tripulação, havia muitas outras pessoas que podiam embarcar. O contingente mais importante era o dos soldados. Com eles seguiam os fidalgos e nobres que iam assumir cargos administrativos ou militares. Havia ainda diversos religiosos, as mulheres, homens de negócios ou simples aventureiros que tentavam no Oriente a sorte que teimava em escapar-lhes em Portugal. Até escravos podiam embarcar logo em Lisboa. 
Toda uma quantidade de tarefas deveriam ser efetuadas antes que a partida pudesse acontecer. Havia, em primeiro lugar, que preparar o navio, acabando reparações e fornecendo-lhe todo o tipo de materiais necessários para a viagem, desde velas a mastros e cordame. Depois tinha-se que nomear e escolher a tripulação. Seguia-se a recolha dos diversos abastecimentos, desde a alimentação, à água, à artilharia ou à botica. Por fim registava-se tudo e controlava-se o embarque das mercadorias com destino ao Oriente, só depois se podia dar a ordem de partida. Tudo isto era gerido pela máquina administrativa e logística do Estado onde se destacavam duas instituições: a Casa da Índia enquanto base comercial, administrativa e de gestão de todos os aspectos comerciais e financeiros; e os Armazéns da Índia que tinham alçada sobre toda a logística, fornecendo todos os materiais e produtos necessários para o sucesso da viagem. 

bairro de plataforma







O bairro de Plataforma nasceu em 16 de abril de 1638, dia em que um príncipe holandês, chamado Maurício de Nassau, desembarcou na praia e se encantou com a beleza natural do local. O bairro é banhado pelas águas da Enseada do Cabrito e da Baía de Todos os Santos. De todos os ângulos do bairro se têm uma visão privilegiada da cidade, da Ilha de Itaparica, da Ilha de Maré, da Ribeira, e da Cidade Alta.
Segundo os estudiosos, o nome Plataforma surgiu através de uma fortificação do séc. XVI, onde hoje, está à fábrica São Braz. Plataforma era uma fazenda que pertencia ao marinheiro português Antonio de Oliveira Carvalhal.  Em 1823, os portugueses bombardearam o bairro e no meado de 1851, Almeida Brandão, um fazendeiro, resolveu construir uma usina.
Depois de 9(nove) anos ela passou a ser a famosa Fábrica São Braz. Outra fábrica que faz parte da história de Plataforma é a União Fabril dos Fiais (conhecida como União), que pertencia a família Martins Catharino.
o bairro foi formado a partir de três fazendas ,passando de senzala a bairro operário-popular.Sobre as senzalas em em Plataforma Verger registrou a existencia ,ainda em 1852 ,um deposito de escravos de José Roiz da Costa .











A Igreja de São Brás fica situada no bairro de Plataforma e faz parte da história da Bahia. Abrigou invasores holandeses em 16 de abril de 1639, depois portugueses ficaram acampados em frente a capela em 1822 e em 1919 foi reformada e ampliada, retirando alguns altares e levando a imagem do padroeiro para restauração em Portugal que acabou não retornando à igreja. A história da Igreja de São Brás é tão importante para o estado que está em processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC).

o bairro cresceu a partir da fábrica,especialmente o comércio local.É difícil encontrar em Plataforma alguém que não trabalhou ou pelo menos um parente na família que era empregado da industria de tecidos.

o fechamento da fábrica foi um grande golpe para a população do bairro,já que oferecia emprego direto e indireto a quase todas as famílias ali existentes.

No século XIX a instalação de ampla rede ferroviária no Brasil e em particular na Bahia,ligando Salvador ao interior e entrecortando Plataforma.Ao lado da estação ferroviária de Plataforma localiza-se o terminal hidroviário ,ligação do bairro com a Península Itagipana. O bairro se desenvolveu com a instalação da ferrovia .


O desenvolvimento capitalista industrial da Bahia se deu em grande parte no subúrbio ferroviário ,especialmente em Plataforma.

Nos dias atuais,Plataforma consolida-se como um bairro residencial,com uma diversificada gama de pequenos comerciantes .