terça-feira, 11 de novembro de 2014

A mariscagem em Plataforma


A mariscagem existe no bairro há décadas, é uma manifestação cultural para a maioria das famílias que moram em plataforma. A maioria aprendeu com seus pais a mariscar e encontram nessa tradição uma forma de garantir a sobrevivência, mas também uma forma de distração.
Essa região de Plataforma e Novos Alagados apresenta indícios de ter sido uma grande floresta de manguezais. O crescimento desordenado da população e o desenvolvimento industrial descontrolado vêm contribuindo para o desaparecimento das espécies de manguezais que ainda restam no local. Hoje quase todo mangue foi destruído pelas fabricas instaladas na região e também pelos próprios moradores que não pensam na pesca predatória.
A mariscagem é uma saída para aqueles que estão desempregados, não só os moradores do bairro de Plataforma como moradores de outros bairros vêm a Plataforma para mariscar por necessidade e por não encontrarem alternativa para garantir a sobrevivência.
Muitos marisqueiros a consideram uma tradição familiar, participam dela desde pequenos, aprendem a pratica com os pais e avós. A grande maioria vai para a maré com toda a família, por não terem com quem deixar seus filhos.
O melhor período para mariscar é de 15 em 15 dias, nas luas novas e cheia, quando a maré “fica melhor” e “vaza mais”. Nesses dias fazendo chuva ou sol bem cedinho os marisqueiros estão lá. Alguns relatam que quando chove tomam cachaça para suportar o frio e os pingos da chuva nas costas.
A grande maioria dos marisqueiros são pessoas que vivem de “bicos”, ou estão desempregados ou são diaristas. Por isso dizer que vive dos mariscos, que é uma forma de sobrevivência encontrada por grande parte da população do bairro e arredores. Há um pequeno número que marisca para seu consumo próprio.
Dentre os tipos de mais freqüentes de mariscos podemos citar: rala coco, papa-fumo, Maria preta, dedo de moça, camaru, chumbinho, concha, sururu e siri. Os marisqueiros utilizam uma colher comum ou uma colher de pedreiro para mariscar, se for dentro do mar usam também peneira, balde ou lata. A quantidade de marisco coletada pode varias entre 500 g e 1 quilo por dia. Nos dias atuais os marisqueiros reclamam que os mariscos estão acabando.
Muitos afirmam que a mariscagem é a sua “salvação”,a única forma de sobrevivência,o sustento da família ,ao mesmo tempo encontram ali uma forma de distração.


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

cidade de salvador


A região onde se localiza Salvador era habitada pelos tupinambás, quando, em 1501, Gonçalo Coelho, comandante da primeira expedição exploratória, comerciou com os índios e instalou  o padrão de posse português no local do atual Farol da Barra, na entrada da baía. Era 1º de novembro, dia de Todos os Santos. O local passou a ser conhecido como a Ponta do Padrão, na entrada da Baía de Todos os Santos.
Em 29 de março de 1549, a armada portuguesa aportava na Vila Velha (hoje Porto da Barra), comandada pelo português Diogo Alvares, o Caramuru. Era fundada oficialmente a cidade de Cidade do São Salvador da Baía de Todos os Santos, que desempenhou um papel estratégico na defesa e expansão do domínio lusitano entre os séculos XVI e XVIII, sendo a capital do Brasil de 1549 a 1763.
A partir do século XVI, Salvador foi o maior porto brasileiro para a chegada de escravos africanos. Pela grande quantidade de africanos em sua região, Salvador adotou hábitos, costumes e tradições deste povo que hoje mostra a miscigenação entre povos de culturas distintas.
Em 1624, Salvador foi invadida por holandeses atraídos pelas riquezas da região e estes, permaneceram no poder durante 11 meses. Em 1763, perdeu seu posto de capital brasileira para o Rio de Janeiro mas, manteve preservando sua economia, história e cultura. Em 1808 abrigou a família real portuguesa. 
Após a Independência do Brasil, a Bahia continuava em poder português, mas em 02 de julho de 1823 houve a última batalha onde as tropas portuguesas foram vencidas pelo exército nacional e esta data passou a ser comemorada todos os anos com intensa participação popular.

Carreira das índias 
Considerada por uns como a maior consequência dos Descobrimentos, outros há que destacam o enorme feito que ela representa em termos técnicos e humanos para um pequeno país como Portugal no início do século XVI. Ao estabelecer uma ligação anual entre Lisboa e os portos do Oriente (Goa, Cochim e por vezes Malaca) a Carreira da Índia tornou-se num elo fundamental na respiração e transpiração quer de Portugal, quer do seu Império Asiático. 
A nau é o navio por excelência da Carreira, sendo também utilizados galeões e fragatas (estas apenas nos finais do século XVII e no século XVIII), bem como, e mais esporadicamente, outros tipos como a urca, a caravela redonda ou a naveta. O tamanho ou capacidade das naus foi uma das características que mais alterações sofreu desde a viagem de Vasco da Gama, com 100t de média até às 200t a 300t com Pedro Álvares Cabral e às 1000t (1518). É comummente aceite que a média deve ter ficado nas 400t a 600t no século XVI e 800t a 1000t no século seguinte, embora os exemplos de gigantismo sejam fáceis de multiplicar. 
 As tripulações destes navios podiam ir até cerca de 200 homens, embora o número mais comum seja à volta dos 120 a 150. A este contingente juntavam-se os soldados ou os simples passageiros o que podia fazer chegar o total de pessoas a bordo até aos 1000, embora também aqui a média devesse rondar os 500. No topo dessa hierarquia estava o capitão que desempenhava funções essencialmente judiciais, militares e administrativas enquanto comandante supremo do navio. Quem verdadeiramente governava e conduzia o navio era o piloto. Este era o posto de maior responsabilidade a bordo, cabendo-lhe traçar a rota com a ajuda dos regimentos, das cartas náuticas e da observação astronômica e escrever o diário de bordo. O elemento que se seguia nesta estrutura era o mestre. Cuidava da manobra dentro do navio orientando e comandando tanto marinheiros como grumetes.
Os postos seguintes eram ocupados por uma série de homens do mar que se dividiam por actividades e funções bem distintas desde o guardião, a carpinteiros, calafates ou tanoeiros. Com funções não ligadas especificamente ao mar seguiam o meirinho ou alcaide, o capelão, o escrivão e um ou vários despenseiros, e por vezes o boticário e o cirurgião/médico substituído amiúde por um barbeiro que prestava os primeiros socorros. Depois dos oficiais vinham os últimos três tipos de homens do mar: os marinheiros, os grumetes que executavam os trabalhos mais duros e os pajens, geralmente crianças que tinham por função servir de mensageiros dentro do navio e transmitir as ordens dadas pelos capitães e oficiais. À parte desta estrutura havia uma outra, a dos homens encarregues da artilharia, e que era comandada pelo condestável tendo sob as suas ordens os bombardeiros. 
Depois destes, que constituíam a tripulação, havia muitas outras pessoas que podiam embarcar. O contingente mais importante era o dos soldados. Com eles seguiam os fidalgos e nobres que iam assumir cargos administrativos ou militares. Havia ainda diversos religiosos, as mulheres, homens de negócios ou simples aventureiros que tentavam no Oriente a sorte que teimava em escapar-lhes em Portugal. Até escravos podiam embarcar logo em Lisboa. 
Toda uma quantidade de tarefas deveriam ser efetuadas antes que a partida pudesse acontecer. Havia, em primeiro lugar, que preparar o navio, acabando reparações e fornecendo-lhe todo o tipo de materiais necessários para a viagem, desde velas a mastros e cordame. Depois tinha-se que nomear e escolher a tripulação. Seguia-se a recolha dos diversos abastecimentos, desde a alimentação, à água, à artilharia ou à botica. Por fim registava-se tudo e controlava-se o embarque das mercadorias com destino ao Oriente, só depois se podia dar a ordem de partida. Tudo isto era gerido pela máquina administrativa e logística do Estado onde se destacavam duas instituições: a Casa da Índia enquanto base comercial, administrativa e de gestão de todos os aspectos comerciais e financeiros; e os Armazéns da Índia que tinham alçada sobre toda a logística, fornecendo todos os materiais e produtos necessários para o sucesso da viagem. 

bairro de plataforma







O bairro de Plataforma nasceu em 16 de abril de 1638, dia em que um príncipe holandês, chamado Maurício de Nassau, desembarcou na praia e se encantou com a beleza natural do local. O bairro é banhado pelas águas da Enseada do Cabrito e da Baía de Todos os Santos. De todos os ângulos do bairro se têm uma visão privilegiada da cidade, da Ilha de Itaparica, da Ilha de Maré, da Ribeira, e da Cidade Alta.
Segundo os estudiosos, o nome Plataforma surgiu através de uma fortificação do séc. XVI, onde hoje, está à fábrica São Braz. Plataforma era uma fazenda que pertencia ao marinheiro português Antonio de Oliveira Carvalhal.  Em 1823, os portugueses bombardearam o bairro e no meado de 1851, Almeida Brandão, um fazendeiro, resolveu construir uma usina.
Depois de 9(nove) anos ela passou a ser a famosa Fábrica São Braz. Outra fábrica que faz parte da história de Plataforma é a União Fabril dos Fiais (conhecida como União), que pertencia a família Martins Catharino.
o bairro foi formado a partir de três fazendas ,passando de senzala a bairro operário-popular.Sobre as senzalas em em Plataforma Verger registrou a existencia ,ainda em 1852 ,um deposito de escravos de José Roiz da Costa .











A Igreja de São Brás fica situada no bairro de Plataforma e faz parte da história da Bahia. Abrigou invasores holandeses em 16 de abril de 1639, depois portugueses ficaram acampados em frente a capela em 1822 e em 1919 foi reformada e ampliada, retirando alguns altares e levando a imagem do padroeiro para restauração em Portugal que acabou não retornando à igreja. A história da Igreja de São Brás é tão importante para o estado que está em processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC).

o bairro cresceu a partir da fábrica,especialmente o comércio local.É difícil encontrar em Plataforma alguém que não trabalhou ou pelo menos um parente na família que era empregado da industria de tecidos.

o fechamento da fábrica foi um grande golpe para a população do bairro,já que oferecia emprego direto e indireto a quase todas as famílias ali existentes.

No século XIX a instalação de ampla rede ferroviária no Brasil e em particular na Bahia,ligando Salvador ao interior e entrecortando Plataforma.Ao lado da estação ferroviária de Plataforma localiza-se o terminal hidroviário ,ligação do bairro com a Península Itagipana. O bairro se desenvolveu com a instalação da ferrovia .


O desenvolvimento capitalista industrial da Bahia se deu em grande parte no subúrbio ferroviário ,especialmente em Plataforma.

Nos dias atuais,Plataforma consolida-se como um bairro residencial,com uma diversificada gama de pequenos comerciantes .