A mariscagem existe no bairro há décadas,
é uma manifestação cultural para a maioria das famílias que moram em plataforma.
A maioria aprendeu com seus pais a mariscar e encontram nessa tradição uma
forma de garantir a sobrevivência, mas também uma forma de distração.
Essa região de Plataforma e Novos
Alagados apresenta indícios de ter sido uma grande floresta de manguezais. O
crescimento desordenado da população e o desenvolvimento industrial
descontrolado vêm contribuindo para o desaparecimento das espécies de
manguezais que ainda restam no local. Hoje quase todo mangue foi destruído pelas
fabricas instaladas na região e também pelos próprios moradores que não pensam
na pesca predatória.
A mariscagem é uma saída para
aqueles que estão desempregados, não só os moradores do bairro de Plataforma
como moradores de outros bairros vêm a Plataforma para mariscar por necessidade
e por não encontrarem alternativa para garantir a sobrevivência.
Muitos marisqueiros a consideram
uma tradição familiar, participam dela desde pequenos, aprendem a pratica com
os pais e avós. A grande maioria vai para a maré com toda a família, por não terem
com quem deixar seus filhos.
O melhor período para mariscar é
de 15 em 15 dias, nas luas novas e cheia, quando a maré “fica melhor” e “vaza
mais”. Nesses dias fazendo chuva ou sol bem cedinho os marisqueiros estão lá. Alguns
relatam que quando chove tomam cachaça para suportar o frio e os pingos da
chuva nas costas.
A grande maioria dos marisqueiros
são pessoas que vivem de “bicos”, ou estão desempregados ou são diaristas. Por
isso dizer que vive dos mariscos, que é uma forma de sobrevivência encontrada
por grande parte da população do bairro e arredores. Há um pequeno número que
marisca para seu consumo próprio.
Dentre os tipos de mais freqüentes
de mariscos podemos citar: rala coco, papa-fumo, Maria preta, dedo de moça,
camaru, chumbinho, concha, sururu e siri. Os marisqueiros utilizam uma colher
comum ou uma colher de pedreiro para mariscar, se for dentro do mar usam também
peneira, balde ou lata. A quantidade de marisco coletada pode varias entre 500
g e 1 quilo por dia. Nos dias atuais os marisqueiros reclamam que os mariscos estão
acabando.
Muitos afirmam que a mariscagem é
a sua “salvação”,a única forma de sobrevivência,o sustento da família ,ao mesmo
tempo encontram ali uma forma de distração.

Muito bom seu blog. Lembrei me com essa postagem sobre a mariscagem, da minha infância onde ia mariscar com minhas tias em plataforma. Visto que é bem pertinho do alto do cabrito.
ResponderExcluirTambém fui mariscar com a minha avó e meus primos na infância ,era muito bom!
ExcluirSu achei bastante interessante falar sobre a tradição da mariscagem.Aqui na Ribeira de vez em quando vejo algumas marisqueiras quando a maré baixa.Seu blog me trouxe recordações de quando era pequena e ficava na praia imitando as marisqueiras .
ResponderExcluirMuito bom lembrar da infância Pati!
Excluirahhhh, verdade! o tempo q morei na suburbana era muito comum de manhã cedo vê essa atividade. Tbm eles passavam com baldes pelas ruas chamando a freguesia
ResponderExcluirQue felicidade lembrar da infância e adolescência, sempre nos traz boas recordações. Parabéns pelo seu blog.
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